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“Não se pode mais conceber um projeto de
desenvolvimento independente das pessoas às
quais ele se destina.
A visão meramente instrumental do
desenvolvimento precisa ceder lugar a uma visão
mais humana que conceda primazia às pessoas e à
construção coletiva.
Quando isso ocorrer, o papel construtivo,
constitutivo e criativo da cultura dos povos,
certamente dará uma contribuição mais relevante
em direção a uma Economia com face mais humana”.
A Assembléia Geral das Nações Unidas proclamou
2012, o Ano Internacional das Cooperativas, como
reconhecimento do papel fundamental das
Cooperativas na promoção do desenvolvimento
sócio-econômico de centenas de milhões de
pessoas em todo o mundo.
Com este propósito, a Assembléia Geral da ONU
apela para a comunidade internacional a fim de
que medidas sejam tomadas para a criação de um
ambiente favorável e capacitante para o fomento
à instalação de cooperativas objetivando a
promoção da conscientização dos povos em relação
às importantes contribuições das cooperativas
para a geração de empregos e para a consequente
melhoria qualitativa de vida dos povos.
Para a celebração e implementação na liderança
dos trabalhos relativos ao Ano Internacional das
Cooperativas – 2012, as Nações Unidas
destacaram, dentre outros, os seguintes
parceiros: FAO, UNESCO, ACI, WFP (World Food
Programme) e UNCDF (United Nations Capital
Developmente Fund).
As Cooperativas, enquanto
Empresas
Sociais Econômicas e de Ajuda Mútua,
desempenham globalmente importante papel no
apoio ao
Desenvolvimento Sustentável, à Erradicação e
Prevenção da Pobreza, à Consolidação dos Meios
de Subsistência em Áreas Urbanas e Rurais e ao
alcance dos Objetivos do Milênio.
O Setor Cooperativo em nível mundial conta com
cerca de 800 milhões de membros em mais de cem
países e estima-se que seja responsável por mais
de 100 milhões de postos de trabalho em todo o
mundo. A força e o alcance das cooperativas
revelam-se de inúmeras formas, e à guisa de
exemplo, citamos dois:
·
As Cooperativas Agrícolas são responsáveis por
cerca de 99% da produção de leite na Noruega,
Nova Zelândia e Estados Unidos e por 50% da
agricultura no Brasil; 71% das pescas da Coréia
são asseguradas pela Cooperativa.
·
Mundialmente, as Cooperativas Elétricas
desempenham um papel primordial nas áreas
rurais. Em Bangladesh, as Cooperativas Elétricas
Rurais servem a 28 milhões de pessoas; nos
Estados Unidos 900 Cooperativas Elétricas Rurais
servem 37 milhões de pessoas e detêm quase
metade das linhas de distribuição de energia em
todo o país.
As Nações Unidas reconhecem a definição de
Cooperativa como aquela elaborada e praticada
pela
Aliança Internacional de Cooperativas - ACI:
“uma associação autônoma, de pessoas unidas
voluntariamente para alcançar as aspirações de
suas necessidades econômicas, sociais e
culturais comuns, através de uma ação
democraticamente controlada”.
O Cooperativismo serve como testemunho de um
modelo econômico mais comprometido socialmente e
ainda, conforme o 7º princípio do
cooperativismo, deixa claro que “as
cooperativas trabalham para o Desenvolvimento
Sustentável das comunidades onde estão inseridas”.
Ou seja, existe uma grande preocupação no
sentido de fazer com que os
objetivos
coletivos
se
sobreponham aos interesses individuais.
(leia também o documento: “Os Princípios da
Aliança Cooperativa Internacional – ACI”).
Compete a nós, membros do Programa das Escolas
Associadas da UNESCO – PEA, o desenvolvimento de
ações educacionais que venham propiciar a
construção de uma nova mentalidade nesta geração
de crianças e jovens que ora educamos, para que
os princípios e valores do cooperativismo sejam
perfeitamente internalizados e se constituam em
realidade na sua vida adulta.
(*) À Guisa de oportuna lembrança, vamos nos
reportar ao ano de 2005 – Ano Internacional do
Microcrédito.
O Microcrédito
O Microcrédito é um importante recurso utilizado
dentro do conceito das Cooperativas para
implementar ações que promovam a inserção de
comunidades carentes na cadeia produtiva, e
fomentar o crescimento econômico. Pensamos, que
neste momento, seja oportuno retomar e
ressignificar os trabalhos sobre essa temática,
pois tem toda a pertinência com a questão das
Cooperativas.
Assim sendo, nos reportamos ao ano de 2005,
quando celebramos o Ano Internacional do
Microcrédito e a grande oportunidade que as
Escolas PEA tiveram então, de ampliar seu
universo de entendimento sobre o conceito do
microcrédito e suas ações. Lembremos que o
microfinanciamento
nada tem a ver com caridade. É uma maneira de
estender às famílias com baixos rendimentos os
mesmos direitos e serviços de que gozam todos os
outros. Equivale a reconhecer que pessoas pobres
podem ser a solução e não o problema. É uma
forma eficaz de favorecer o crescimento de
empresas produtivas e, assim, permitir que as
comunidades prosperem, para o bem de todos.
Nos últimos anos, as microfinanças sofreram um
rápido processo de desenvolvimento e
estruturação no mundo todo, inclusive no Brasil.
Em maio de 2011, o criador do microcrédito e
ganhador do Prêmio Nobel da Paz em 2006, o
economista Muhammad Yunus, esteve em Brasília e
disponibilizou técnicas utilizadas nos programas
de microcréditos que desenvolveu em Bangladesh
com o Grameen Bank (Banco da Aldeia) que já
concedeu créditos para 8,3 milhões de bangaleses,
em sua maioria mulheres.
Torna-se, portanto, imprescindível para nós
Educadores, o reconhecimento da notável
oportunidade de aprimoramento em nosso trabalho
educacional que o Ano Internacional das
Cooperativas oferece.
Desta forma, cumpre-nos empenhar os nossos
melhores esforços construtivos, constitutivos e
criativos no sentido de contextualizar e
significar o processo ensino-aprendizagem que
flui dentro de cada uma de nossas Escolas, a
partir dos seguintes pressupostos:
v
o repúdio intransigente à desigualdade e à
exclusão social;
v
o estabelecimento de uma forte relação de
solidariedade que garanta a subsistência digna
para todos e ultrapasse a tendência ao
individualismo, promovendo o discernimento e a
cooperação entre as pessoas;
v
o desenvolvimento do espírito empreendedor que
possibilite o rompimento do círculo vicioso da
pobreza;
v
o aprofundamento da compreensão verdadeira; para
além da visão simplificadora e conformista dos
problemas sociais, que obstacularizam a promoção
humana na medida em que lhe sonega minimamente
qualquer apoio financeiro que conduza à
prosperidade;
v
o conhecimento e o reconhecimento de nossos
pontos fortes e de nossas fraquezas enquanto
Nação, que permita a construção de mentalidades
realísticas capazes de assumir ações concretas
condizentes à solução ou mitigação dos problemas
ora existentes.
Segundo Irina Bokova – Diretora Geral da UNESCO,
“nos dias de hoje, investir na formação
integral de crianças e jovens, significa
prepará-los para o “Novo
Humanismo do Século
XXI”,
o que representa direcionar a ação educacional
para o
desenvolvimento humano sustentável,
promovendo o fortalecimento do ser humano, com
ênfase especial às questões com que se depara na
atualidade, tais como:
HIV/AIDS,
solução de conflitos, degradação ambiental,
desastres ecológicos, dentre outros...”
A Educação tem a função de prover os valores,
atitudes, capacidades e condutas essenciais para
que o ser humano possa confrontar os desafios de
sua existência.

http://social.un.org/coopsyear/
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